Manobras de uma caixa preta de Mica Costa-grande

Mica Costa-grande propõe um jogo de imagens que usa a caixa preta como instrumento. A caixa preta – esse briquedo vazio de tudo – tem como objetivo aprisionar a realidade, sem no entanto a consumir ou desgastar.

A vida que serve de alimento a este projeto está contida no interior de uma linha imaginária, que passa pela grande floresta, que o Amazonas rasga e as longas areias que o oceano desenha: O Brasil.

Brasil imaginado

A designação Brasil, deve a sua existência mágica aos cartógrafos europeus do século XV que, em mapas com novos rigores ao norte, representavam ainda a fantástica terra brasilis no insondado mar oceano.

Em 1500, a terra brasilis teve existência real. Mais tarde e por causa de um marinheiro chamado Amérigo, o mundo novo tomou outro nome. Brasil, passou então a designar apenas a parte onde crescia um certo pau, que quando macerado era vermelho, os fenícios chamavam-no de Kinnabar, os celtas (por inversão das partes) de Barkino, e os genoveses de Brazi

Do fotógrafo

A vontade caprichosa do fotógrafo Mica Costa-grande (premiado como Melhor do ano pela KODAK), foi de construir e viajar com um aparelho fotográfico básico de dimensões exageradas.

Mica Costa-grande, chegou ao Brasil com a Sofia Salgado, o Elói(12) e a Sásquia(10), depois de viajarem durante dois anos de Portugal ao Brasil, passando pelo extremo norte da América ao ponto mais meridional do continente. Esta viagem faz parte da volta ao mundo iniciada em Macau no ano 2000.

O impulso que trouxe a família Costa-grande ao Brasil em viagens transcontinentais, outros povos de múltiplas origens e em outras épocas, o tiveram, caminhando desde o outro lado do pacífico ou navegando através do atlântico. Aqui chegaram por vontade própria ou impiedosamente arrastados pelo ímpeto alheio.

Materializar a memória

Através do espaço cego da caixa e sem a colaboração de qualquer sistema ótico, uma linha inexistente ligará cada ponto da imagem a tudo o que existe. Esta longa conversa entre o real e a sua representação dura 8 a 10 horas e se realiza através de um minúsculo orifício.

Este míster pelo qual os objetos se desenham a si próprios, apenas com o auxílio da luz, pretende, pela simplicidade, resgatar esse Brasil imaginado.